Pancho Guedes

Na sua vasta obra moçambicana, nos anos 50, 60 e 70, Pancho Guedes usa os elementos estruturais da arquitectura modernista, banais naquele contexto histórico. Contudo, molda-os e transforma-os, conferindo aos edifícios uma linguagem muito particular.

A paixão de Pancho Guedes pela pintura e pela escultura torna-se evidente na sua obra arquitetónica, sobretudo na forma como trabalha a epiderme dos edifícios. Confere plasticidade e emoção às suas obras, usando a cultura africana como mote dos seus temas.

Este tipo de abordagem formalista, que Adolf Loos facilmente apelidaria de “criminosa” e que nalguns momentos nos reporta a Gaudi, não é original. Original é a forma como Pancho Guedes a desenvolve, com muita competência e talento.

Hoje seria muito difícil observar este tipo de abordagem na construção moçambicana (e não só!). A ditadura económica em que vivemos não se compadece com “desvios artísticos”. O que não cabe num ficheiro Excel não existe.

Nas ruas de Maputo, por detrás de uma velatura de negligência, sobressai e cintila a obra de Pancho Guedes, distinguindo-se facilmente como o seu bem mais precioso. Até quando?

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Ricardo Nogueira de Sousa Lopes, Fevereiro de 2013

Imagens – arquivo pessoal