Erros – os suportáveis e os imperdoáveis

Os arquitetos podem adotar as mais variadas linguagens arquitetónicas. Podem ter mais ou menos sensibilidade para a caracterização formal dos edifícios que projetam. Nem sempre acertam nas suas opções estéticas, muitas vezes até por razões alheias à sua vontade. A consensualidade é difícil e nem sempre desejada. Tudo isto é normal.

Mas há determinados aspetos em que deveriam falhar menos. Fatores importantíssimos, de subjetividade reduzida, que passam despercebidos a um olhar mais desatento, mas que determinam os níveis de conforto que cada edifício proporciona aos seus utilizadores. Falo, por exemplo, da funcionalidade e do bom aproveitamento das áreas do edifício, da sustentabilidade associada a boas condições térmicas e ambientais nos espaços interiores, da gestão de cotas e da boa relação com a incidência solar para uma boa implantação no terreno. Isto entre muitas outras questões difíceis de discernir visualizando 4 ou 5 imagens na internet. É que a arquitetura serve para ser vivida e não para ser observada a duas dimensões.

Mas, a este nível, as falhas ocorrem muito mais vezes do que o desejável, abrindo espaço para a crítica à classe, enfraquecendo o estatuto e a confiança nos arquitetos. E não são só os anónimos que falham, muitas das “estrelas” também!

A boa resolução destas questões mais práticas, menos esotéricas do que alguns pensam, não tem que comprometer a beleza do edifício, antes pelo contrário. De que vale ter uma casa bonita se ela não for confortável e se só nos trouxer dores de cabeça?

Ricardo Nogueira de Sousa Lopes, Agosto de 2012